Espanha

Os bares, os vinhos, as cañas e as tapas. – Sérgio Calderaro

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Outro dia o maluco do Robson me fez um convite que eu não pude recusar: compartilhar com ele o prazer de escrever algunas linhas neste blog. Então, aí vai minha primeira participação.

A sugestão foi falar das minhas impressões sobre a propaganda espanhola, já que atualmente eu vivo em Madri. Sobre a publicidade que vejo por aqui, tenho a dizer que melhor seria falar sobre os bares e as tapas madrilenhas. Tá certo, o assunto não é esse, mas é que, na verdade, os espanhóis são bem melhores no vinho e nos petiscos do que na publicidade.

Na televisão e nos materiais impressos, tudo é muito bonito. A produção é de encher os olhos. Que coisa mais linda e bem acabada! Imagem é mesmo, historicamente, o forte deles, e eu nem preciso citar aqui todos os famosos pintores, arquitetos, estilistas e artistas gráficos espanhóis tão espetaculares e inovadores em suas respectivas épocas.

Se eu usasse chapéu, eu o tiraria para tudo isso. É tudo tão perfeito, tão moderno e tecnológico… que acaba enjoando. Sim, enjoa sim. Enjoa porque grande parte da publicidade resume-se a imagens cinematográficas sem um bom conceito por trás (ou pela frente, como queiram). Cadê a idéia? Cadê aquilo que desperta no público a vontade de comprar? Cadê a mensagem que fará o consumidor construir em sua mente uma imagem favorável à marca?

Essa fraqueza torna-se mais patente no rádio, o calcanhar de Aquiles da publicidade española. Sem o apoio da imagem, explicita-se a falta de um bom conceito.

É claro que eu falo da publicidade do dia-a-dia, do rádio pela manhã, dos impressos que recebo no metrô, dos anúncios de jornal e dos comerciais que vejo à noite na tevê. É óbvio que também existem, sim, as idéias espanholas geniais. Mas no geral, o que sinto é uma cultura mais apegada às imagens e à produção do que propriamente à idéia vendedora.

Por isso recomendo aos publicitários e estudantes que visitem a Espanha não perderem muito tempo analisando o trabalho publicitário daqui. Aproveitem as praças, os museus, os monumentos, a história, as pessoas. E, claro, os restaurantes e bares, os vinhos, as cañas e as tapas. Nisso, os espanhóis são inigualáveis.

Sérgio Calderaro

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